A empresa que prestava serviços de transporte escolar para a Prefeitura de Pilões, na Paraíba, trocou o veículo e o motorista, sem informar nada para a gestão municipal, justamente na terça-feira (1º), dia do acidente que resultou na morte de dois adolescentes e deixou 31 feridos.
Essa, ao menos, é a versão dada pelo advogado Adilson Alves, que é assessor jurídico da Prefeitura. Ele disse que um processo administrativo foi aberto e que o objetivo é descobrir as razões dessa mudança.
“Tal fato só foi de conhecimento da Prefeitura de Pilões após o acidente”, revelou.
A empresa se chama “Adriano Pinheiro da Silva”, mesmo nome de seu proprietário. O g1 telefonou diversas vezes para ele, mas as chamadas foram seguidamente rejeitadas.
Adilson Alves disse também que, ao contrário do ônibus que sofreu o acidente, o veículo anterior que era utilizado estaria regularizado e tinha passado por vistorias de transporte escolar. E que a principal questão agora é saber o que provocou essa mudança repentina.
“Vamos apurar eventuais irregularidades e responsabilidades de servidores municipais e também a conduta da empresa em relação à troca do ônibus”, completou.
Contrato emergencial e licitação suspensa
Ainda de acordo com o assessor jurídico da Prefeitura de Pilões, Adilson Alves, a empresa já prestava serviços ao município e Pilões há vários anos, sem nunca ter apresentado falhas e sem nunca ter se envolvido em acidentes.
O último contrato com a empresa, ademais, se encerrou em 31 de dezembro, mas ela continuou a prestar serviços em caráter emergencial, a partir de um contrato direto, até que uma nova licitação fosse encerrada.
Esse processo, inclusive, já tinha sido finalizado e seria assinado justamente na terça-feira (1º). O detalhe é que a mesma empresa saíra vencedora.
Agora, a Prefeitura decidiu suspender a licitação e estuda a revogação do resultado final. A questão seria saber como proceder: se convoca o segundo colocado ou se faz um novo processo licitatório.
Outra informação era a de que o contrato servia para levar estudantes de Pilões para estudar em uma escola técnica estadual e em universidades de Guarabira, mas que estudantes secundaristas da rede privada de ensino também aproveitavam a viagem para estudar naquele município.