Na manhã desta quarta-feira (02), a cidade de Pilões, no Brejo paraibano, prestou as últimas homenagens a Antonella Guedes, de 16 anos, e Gustavo Batista, de 13 anos, vítimas do acidente com um ônibus escolar na última terça-feira (26). O velório, realizado na Paróquia Sagrado Coração de Jesus, reuniu familiares, amigos e moradores da região, que manifestaram profunda comoção diante da tragédia.
Antonella e Gustavo eram coroinhas da igreja e figuras queridas na comunidade. Durante a cerimônia, relatos emocionados destacaram suas personalidades. “Meu filho era um menino amável, dócil, muito de casa, estudioso”, disse a mãe de Gustavo, emocionada. “Ontem, ao sair, me deu a benção. Que Jesus te abençoe, vá com Deus e volte com Ele, e eu não pude receber meu filho”, lamentou.
Uma amiga de Antonella a descreveu como “incrível, educada, falava com todo mundo, sorridente, simpática”. O irmão da jovem, Arthur, que também era coroinha, expressou a dor da perda: “Está sendo muito triste, porque ela, além de fazer companhia para mim, era uma ótima irmã, ajudava nos estudos”.
O acidente
O acidente ocorreu na PB-077, na ladeira do Espinho, que liga Pilões e Cuitegi. O ônibus escolar transportava 31 pessoas, entre elas os dois jovens e outros 29 estudantes, quando tombou, resultando na morte de Antonella e Gustavo e deixando 22 feridos.
Sete vítimas foram socorridas para o Hospital de Emergência e Trauma de João Pessoa. Uma jovem de 18 anos teve a mão amputada e passou por cirurgia. O motorista do ônibus e uma jovem de 15 anos também estão internados, mas devem receber alta em breve.
Investigação
A Polícia Civil investiga as causas do acidente. O delegado Francisco Basílio informou que o motorista do ônibus, que também ficou ferido, passou pelo teste do bafômetro, que não constatou ingestão de álcool. Ele possuía habilitação compatível e alegou que dirigia entre 25 e 30 km/h, devido à estrada sinuosa. A principal suspeita é que o sistema de freios tenha falhado.
Irregularidades no veículo
O Detran-PB informou que o ônibus não passava pela vistoria obrigatória desde maio de 2023. Veículos de transporte escolar devem ser inspecionados duas vezes por ano, mas o envolvido no acidente faltou às vistorias de maio e novembro de 2023. O órgão também investiga se o motorista possuía o curso exigido para transporte escolar.
A Prefeitura de Pilões declarou que o ônibus envolvido não fazia parte da frota municipal. Segundo a gestão, o veículo foi utilizado sem aviso prévio para substituir o ônibus regular da rota. A substituição teria sido feita pelo proprietário do veículo alugado, que também era o motorista habitual.
A assessoria jurídica da prefeitura detalhou que o motorista que conduzia o ônibus no momento do acidente não era o habitual, tendo feito a viagem pela primeira vez. “A placa do empenho do carro não era a do veículo que trafegava ontem no acidente”, explicou Adilson Alves, assessor jurídico da prefeitura.