Reclama PB

Polícia Militar proíbe uso de 'mata-leão' em abordagens policiais no estado de São Paulo

Por Redação em 31/07/2020 às 21:49:13

Por meio de nota, a PM disse que a corporação "busca permanentemente aperfeiçoar a prestação de serviço à sociedade e modernizar seus protocolos de atuação". Policiais militares usam chave de braço em jovem negro na cidade de João Ramalho, interior de São Paulo.

Redes sociais

A Secretaria de Segurança Pública (SSP) de São Paulo confirmou nesta sexta-feira (31) que o manual de defesa pessoal da Polícia Militar está passando por revisão e o procedimento de imobilização chamado chave cervical, o popular "mata leão", está proibido nas abordagens policiais no estado.

A proibição foi confirmada pela Polícia Militar paulista, que, por meio de nota, disse que "busca permanentemente aperfeiçoar a prestação de serviço à sociedade e modernizar seus protocolos de atuação".

"Atualmente, a instituição realiza estudos para avaliar as técnicas de contenção durante as detenções de suspeitos, sendo que a chave cervical não mais será empregada", afirmou a nota da PM.

A proibição do mata leão nas abordagens de policiais militares acontece dias depois que um vídeo circulou nas redes sociais em 24 de julho mostrando policiais militares dando uma chave de braço e sufocando um jovem negro na cidade de João Ramalho, no interior de São Paulo.

No registro, os PMs retiram o jovem do terreno da casa da família com o golpe no pescoço e a pessoa que filme comenta que o rapaz não conseguia respirar.

"Invadiram dentro de casa, olha o que estão fazendo com o moleque. Tá passando falta de ar."

Polícia investiga abordagem de PMs que deram 'gravata' em motociclista negro

Em nota, a PM afirmou que a equipe fazia patrulhamento quando viu um motociclista com uma moto sem placas e trafegando sentido a saída da cidade. Em seguida, o rapaz percebeu a viatura e tentou fugir, retornando para o município.

Os policiais fizeram o acompanhamento, dando ordem de parada, que foi desobedecida pelo suspeito. Ele teria continuado na fuga e ultrapassado parada obrigatória na via.

"Sendo abordado entrando no portão social da residência localizada na Rua Clóvis dias Valente. Na abordagem, o condutor desobedeceu à ordem legal e seus familiares investiram contra os policiais para agredi-los, puxando a motocicleta e o condutor, além de desacatarem os policiais proferindo diversas ofensas", afirmou a corporação.

Zona Oeste de SP

Outro caso aconteceu com um entregador na tarde de 14 de julho, na Avenida Rebouças, em Pinheiros, Zona Oeste de São Paulo. No vídeo que também viralizou nas redes sociais, é possível ver os dois policiais militares, um homem e uma mulher, segurando o motoboy. Ele grita: "tira a mão de mim, por que você está me agredindo? Um dos policiais responde: "você tá louco". Em seguida, o entregador diz: "eu estou louco porque você está me agredindo".

Ao cair no chão com os policiais, o motoboy ainda grita: "Não consigo (...) não consigo respirar". Em outro vídeo, um policial militar aparece com arma nas mãos e pede que as pessoas se afastem. Ao fundo, é possível ver o motoboy no chão dominado por policiais militares.

Vídeo mostra PMs dominando entregador em abordagem em Pinheiros.

"Foi uma abordagem agressiva, abusiva. Os policiais já partem para a violência. As pessoas devem ser abordadas quando há indícios de que esteja cometendo algum crime. Eles poderiam ter conversado com o rapaz, não precisavam de imediato já querer derrubá-lo, constrangê-lo e humilhá-lo diante daquela situação e depois tomarem as devidas providências necessárias. Todas essas abordagens precisam ser revistas, principalmente as que provocam sufocamento. É preciso rediscutir as abordagens policiais. Os policiais podem responder por abuso de autoridade e lesão corporal", disse Ariel de Castro Alves, advogado e conselheiro do Conselho Estadual de Direitos Humanos (Condepe ).

Em nota, a SSP disse que a "Polícia Militar esclarece que ao visualizar o motociclista em cima da calçada e com a placa encoberta, a equipe policial deu ordem de parada e iniciou a abordagem."

Ainda segundo a nota, "o motociclista ofereceu resistência, sendo contido. Foi constatado que ele está com a habilitação vencida desde 2019."

A corporação informou ainda que o caso foi registrado como termo circunstanciado de resistência no 14º Distrito Policial. A motocicleta foi apreendida administrativamente e a autoridade policial solicitou exames de corpo de delito aos policiais e ao rapaz, e encaminhou o caso ao Juizado Especial Criminal (Jecrim).

Outro caso

Uma mulher negra de 51 anos que foi imobilizada por um PM pisando em seu pescoço em Parelheiros, no extremo sul de São Paulo, disse nesta terça-feira (14) que, quando estava no chão sendo imobilizada por um policial, achou que iria ser sufocada e morrer naquele momento como morreu George Floyd em uma ação policial nos Estados Unidos.

"Achei que iria ser morto como ele [George Floyd]. Eu estava no chão e lembrava daquela cena dele. Achei que iria morrer ali", disse a mulher.

A afirmação foi feita ao programa "Encontro" (clique aqui e veja o programa), da TV Globo.

Violência policial

O número de pessoas mortas por policiais militares dentro e fora de serviço no estado de São Paulo de janeiro a maio de 2020 é o maior de toda a série histórica iniciada em 2001: 442 vítimas, como mostrou o G1 nesta terça-feira (14).

O total deste ano ultrapassou o número de mortos por PMs em 2003, com 409 mortes em decorrência de intervenção policial, segundo a diretora-executiva do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Samira Bueno.

O número de mortos por policiais de batalhões das cidades da Grande São Paulo, com exceção da capital paulista, aumentou 70% de janeiro a maio de 2020 em comparação com o mesmo período de 2019, de acordo com levantamento feito pelo G1 e a GloboNews com base em dados da Corregedoria da Polícia Militar no Diário Oficial.

Já nos batalhões da cidade de São Paulo o aumento foi de 34%, número superior ao aumento de 25% na letalidade policial do estado como um todo: de 350 mortos em 2019, para 442 neste ano.

A Secretaria da Segurança Pública informou, por meio de nota, que demitiu ou expulsou, de janeiro a maio deste ano, 80 policiais civis e militares por desvios de conduta. A pasta informou ainda que iniciou um curso no último dia 1 para todos os níveis hierárquicos da PM com o objetivo "de aprimorar os processos da corporação".

De janeiro a maio deste ano, 119 pessoas foram mortas por policiais subordinados ao Comando de Policiamento da Capital (CPC), contra 89, em 2019. Já nos batalhões do Comando de Policiamento Metropolitano (CPM), os policiais mataram 54 pessoas nos 5 primeiros meses de 2019 e 92, em 2020. O CPC tem 31 batalhões e o CPM, 21.

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Fonte: G1

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