Reclama PB

Grupo faz ato em homenagem a ciclista que foi atropelada e morta na Zona Oeste de SP

Por Redação em 14/11/2020 às 20:09:27

Cicloativista Marina Harkot morreu no último fim de semana na Avenida Paulo VI, região do Sumaré. Empresário José Maria da Costa Júnior, responsável pelo acidente e que fugiu sem prestar socorro, teve pedido de prisão negado pela Justiça na noite dessa sexta-feira (13). Ciclistas reunidos na Avenida Paulo VI, no Sumaré, na tarde deste sábado (14)

Gisele Luvison/Arquivo pessoal

Um grupo de ciclistas se reuniu na tarde deste sábado (14) em um ato para homenagear a cicloativista Marina Kholer Harkot, de 28 anos, que morreu atropelada na madrugada do último domingo (8).

O encontro ocorreu na Avenida Paulo VI, região do Sumaré, Zona Oeste de São Paulo, local onde a cicloativista foi atropelada e morta pelo microempresário José Maria da Costa Júnior, de 34 anos.

Durante o protesto, os manifestantes pediram mais respeito aos motoristas e reforçaram que a vida dos ciclistas tem valor. Por volta das 18h, eles fizeram um minuto de silêncio em respeito à memória de Marina.

Grupo prestou homenagem para a cicloativista Marina Kholer Harkot, morta no último domingo (8)

Rodrigo Rodrigues/G1

Júnior fugiu com seu Hyundai Tucson após o acidente e não prestou socorro à vítima, que morreu no local. Um motociclista, no entanto, anotou a placa do veículo de José Maria e alertou as autoridades. O empresário é acusado por homicídio culposo.

Vídeo mostra motorista que atropelou e matou ciclista em SP chegando a estacionamento

Prisão preventiva negada

A Justiça de São Paulo negou o pedido de prisão preventiva do empresário, na noite dessa sexta-feira (13). O pedido de prisão foi feito pela Polícia Civil.

Por conta da lei eleitoral, nenhuma pessoa pode ser presa cinco dias antes e dois dias depois das eleições, que ocorre neste domingo (15). A prisão só é permitida em casos de flagrantes.

De acordo com a Justiça, o próprio Ministério Público manifestou-se pelo indeferimento do pedido de decretação de prisão preventiva.

"Para que se possa prender preventivamente um acusado de crime, é necessário que esteja diante de um crime doloso com pena máxima superior a 4 anos, de um reincidente ou, ainda, em casos de violência doméstica e familiar, para garantir a execução das medidas protetivas de urgência", argumenta a juíza Tatiana Saes Valverde Ormeleze, do Fórum Criminal da Barra Funda.

"No caso aqui tratado, porém, nenhum desses requisitos se encontra presente. O investigado responde pela prática de crime culposo previsto na legislação de trânsito e é primário", argumenta a juíza Tatiana Saes Valverde Ormeleze, do Fórum Criminal da Barra Funda", completou a magistrada.

O que diz a defesa do motorista

Motorista José Maria da Costa Júnior fugiu após atropelar e matar a ciclista Marina Harkot com seu Hyundiai Tucson em São Paulo; no detalhe, o vidro estilhaçado pelo impacto

Reprodução/Câmera de segurança/TV Globo e Arquivo pessoal

A Polícia Civil investiga se José Maria da Costa Júnior consumiu bebida alcoólica e dirigia acima da velocidade permitida no momento do acidente.

Procurada pelo G1 na quinta-feira (12) , a defesa do motorista negou que ele tenha bebido ou corrido no momento que atropelou Marina.

"Uma das coisas que ele me garantiu é que não fez uso de bebida", disse o advogado José Miguel da Silva Júnior. "Ele também falou que não estava em alta velocidade".

Motorista que atropelou e matou ciclista se apresenta à polícia em SP

Ainda segundo o advogado, o motorista não conseguiu enxergar a ciclista. E alegou que o empresário não parou para socorrê-la porque entrou em pânico.

De acordo com o artigo 302 do Código de Trânsito Brasileiro (CTB), o homicídio culposo ao volante prevê pena de dois a quatro anos de detenção em regime semiaberto e suspensão ou proibição de dirigir. Essa pena pode ser aumentada em 1/3 se o condutor deixou de prestar socorro à vítima.

Investigação

De acordo com a investigação, Marina foi atropelada na última faixa à direita da pista da Avenida Paulo VI. Ela não usava capacete, que é um item de segurança, mas não é obrigatório. E também não estava na ciclovia por ser um lugar escuro com risco de assaltos, segundo testemunhas.

Mesmo assim, a ciclista transitava numa via que também é permitida para bicicletas e num local iluminado onde poderia ser vista pelos motoristas, dizem os policiais. O limite de velocidade para veículos nesse trecho é de 50 km/h.

Ciclista foi atropelada e morta por motorista que fugiu em São Paulo

Arte G1

Para a polícia, apesar de a defesa de José Maria negar que o motorista tenha bebido ao dirigir, há a suspeita de que ele tenha consumido álcool, o que é proibido por lei.

Isso porque na quarta-feira (11), o gerente de um estacionamento confirmou à investigação o que havia dito antes à imprensa: que viu o empresário com sinais aparentes de embriaguez. Além disso, Ivan Ribeiro falou que tinha uma garrafa de vinho dentro da Tucson do motorista.

Câmeras de segurança gravaram o empresário chegar com mais duas pessoas, um homem e uma mulher, no estacionamento onde deixou o veículo no mesmo dia após o acidente. O local está a cerca de 5 quilômetros de distância de onde ele atropelou Marina.

O estabelecimento fica no Centro da cidade, vizinho ao prédio onde ele morava.

Fonte: G1

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