Ampliar Office
Anuncie Aqui

Justiça condena 3 pela morte de Jandira durante aborto

Por Redação Paraíba Atual em 10/08/2018 às 10:09:29

Foto: Reprodução

O julgamento de três acusados pela morte de Jandira Magdalena dos Santos Cruz, após um aborto clandestino realizado em Campo Grande, na Zona Oeste do Rio, terminou com a condenação dos três réus. A sentença foi publicada na madrugada desta sexta-feira (10).

Rosemere foi apontada em todo o processo e na época das prisões como chefe da quadrilha, que chegava a ter lucros de R$ 1 milhão mensais com os abortos realizados em Campo Grande. Vanusa Vais Baldacine foi a motorista que levou Jandira para o local onde foi realizado o procedimento, realizado por sua vez pelo falso médico Carlos Augusto Graça de Oliveira.

Veja as penas para cada acusado no julgamento desta quinta-feira (9):

  • Rosemere Aparecida Ferreira: 35 anos e seis meses de prisão.
  • Vanusa Vais Baldacine: 15 anos e 6 meses de prisão.
  • Carlos Augusto Graça: 26 anos e 6 meses de prisão.

Em sua decisão, o juiz destacou que o grupo era uma quadrilha "organizada e sofisticada", que operou durante anos em toda a cidade. "

"Valeram-se da vulnerabilidade de mulheres que, muitas vezes em situação de desespero, como é o caso aqui retratado, submeteram-se à ´clínica´. Além de realizar atividade ilícita, a quadrilha operava com cirurgião sem diploma em medicina, sem qualquer cuidado com higiene e assepsia, instaurando um verdadeiro açougue humano, expondo a risco inúmeras mulheres. Tudo visando o lucro fácil"

'Justiça foi feita', diz irmã de Jandira

Joyce Santos, irmã de Jandira, saiu do fórum central do Tribunal de Justiça do Rio, no centro da cidade, às 22h de quinta-feira (9), com o julgamento em andamento. Na manhã desta sexta-feira, comunicada sobre a sentença, ela considerou que a justiça foi feita para o caso de sua irmã:

"A jandira cometeu um erro e pagou com a pena de morte. Eu esperava que eles pegassem uma pena justa. E sinto que isso aconteceu", disse ela.

Corpo foi encontrado carbonizado

No dia 26 de agosto de 2014, Jandira Magdalena dos Santos Cruz, então com 27 anos, entrou em um carro na Rodoviária de Campo Grande, na Zona Oeste, em direção a uma clínica ilegal. O objetivo era realizar um aborto, no quinto mês de gestação.

Jandira acabou morta durante o procedimento, e seu corpo foi encontrado carbonizado em um carro em Mangaratiba, semanas após o desaparecimento.

No início do julgamento, que começou com 4 horas de atraso, prestaram depoimento dois policiais civis e uma mulher que desistiu de fazer um aborto na mesma clínica onde Jandira fez o procedimento que terminou com sua morte. Eram previstas 14 testemunhas de defesa e nove de acusação no júri desta quinta (9).

Um deles disse que Rosemere Aparecida Ferreira já era conhecida pela prática de abortos. "A quadrilha mantinha regularidade nesses abortos", explicou. Segundo ele, Rosemere admitiu o aborto de Jandira em depoimento na delegacia, assim como Vanusa Baldacine e Carlos Augusto Graça de Oliveira.

Segundo esse policial, o local onde Jandira fez o aborto era uma clínica clandestina em um local residencial "muito improvisado, sem qualquer cautela e submetiam a grávida a quaisquer problemas que pudessem ocorrer", citando o homicídio com dolo eventual, quando l grupo teria assumido o risco de matar Jandira.

O corpo dela, segundo ele, após ordens de Rosemere, foi desmembrado e levado para Mangaratiba, onde o tronco foi encontrado carbonizado em um gol branco.

Outro policial ouvido afirmou que Leandro Reis, ex-marido de Jandira que a levou à rodoviária de Campo Grande para encontrar com uma mulher que a conduziria à clínica, não foi indiciado, e que não houve registro de pagamento da mãe de Jandira pelo procedimento.

Fonte: G1

Anuncie Aqui